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A Verdade, O Bom, O Belo e O Sublime

Todo templo precisa de um chão sólido e de colunas que sustentem o céu. O templo do espírito humano não é diferente. Não podemos falar das cores do vitral (o Belo) ou da altura da torre (o Sublime) sem antes testar a rocha sobre a qual construímos.

Eis as quatro dimensões da existência plena:

1. A Verdade (Verum): O Alicerce Invisível

Tudo começa aqui. A Verdade não é uma opinião; é a fidelidade à realidade. É a luz que nos permite ver as coisas como elas são, e não como gostaríamos que fossem. Sem a Verdade, a vida é um teatro de sombras. Ela é o solo rígido, por vezes frio, mas é o único lugar onde se pode construir algo duradouro. A Verdade é o pacto da mente com o "o que existe". É a recusa corajosa da ilusão.

2. O Bom (Agathos): A Verdade em Ação

Se a Verdade é o mapa, o Bom é a caminhada. Não basta saber o que é real; é preciso alinhar a vontade a essa realidade. O Bom é a ordem ética. É quando a ação humana respeita a dignidade do outro e a harmonia do todo. O Bom não oprime; ele liberta, pois quem age com bondade não precisa se esconder nas trevas. É a harmonia entre o que fazemos e o que devemos ser.

3. O Belo (Kalos): A Verdade em Harmonia

A Verdade crua pode ser dura; o Dever (o Bom) pode ser árduo. O universo, em sua misericórdia, nos deu o Belo como um repouso. O Belo é a Verdade vestida de esplendor. Quando vemos uma proporção perfeita, ouvimos uma música sublime ou contemplamos um rosto amado, sentimos que o mundo é um lugar acolhedor. O Belo é a promessa de felicidade; ele nos diz que a vida não é apenas luta, mas também deleite e contemplação.

4. O Sublime: A Verdade em Excesso

Mas o espírito humano não foi feito apenas para o conforto do jardim; ele anseia pelo abismo. O Sublime é o momento em que a Verdade se torna grande demais para a nossa compreensão. É a tempestade, o oceano infinito, a vastidão do cosmo. Diferente do Belo, que acalma, o Sublime nos assombra e nos eleva. Ele nos humilha fisicamente (somos pequenos diante da montanha), mas nos exalta espiritualmente (nossa mente é capaz de abraçar a montanha). O Sublime nos lembra que somos finitos com sede de infinito.

A Patologia do Isolamento: As Sombras da Fragmentação

Cuidado, peregrino. O segredo da sabedoria não está em possuir essas virtudes separadamente, mas em mantê-las unidas. Quando isolamos um desses pilares, a virtude adoece e se torna um vício monstruoso. Veja as patologias de uma alma fragmentada:

  • A Verdade sem Amor (sem o Bom e o Belo): Torna-se frieza cínica. É a ciência sem consciência, a crítica destrutiva, o fato nu que humilha sem edificar.

  • O Bom sem a Verdade: Torna-se um moralismo cego ou "bom-mocismo" ingênuo. É a caridade que, por não entender a realidade, acaba por criar dependência ou maldade.

  • O Belo sem o Bom: Torna-se pura sedução e vaidade. É a estética dos tiranos, o luxo vazio, a arte que celebra a decadência. É a casca dourada de uma fruta podre.

  • O Sublime sem Ética (sem o Bom): Este é o mais perigoso. Torna-se fascinação pelo poder e pela destruição. É o êxtase da guerra, o fanatismo político, o desejo de ver o mundo queimar apenas pela grandiosidade das chamas.

A Síntese Final

Viver plenamente é manter a tensão entre essas forças.

Devemos buscar a Verdade com a razão, praticar o Bom com a vontade, amar o Belo com o sentimento e reverenciar o Sublime com o espírito.

Que o seu chão seja verdadeiro, que suas mãos sejam boas, que seus olhos busquem a beleza e que sua alma nunca perca a coragem de encarar o infinito.

Nossos Valores em Ação

Estes quatro pilares regem cada aspecto do nosso projeto: o que entregamos, como construímos, quem somos.

No Produto

  • Verdade: Conteúdo fiel às escrituras, sem distorções. Interface que comunica com clareza, hierarquia visual que revela a importância real das coisas. Nada de dark patterns ou truques que enganam. O usuário encontra o que é real, não o que é conveniente.
  • Bom: Cada funcionalidade serve ao usuário, respeitando sua dignidade e seu tempo. Acessibilidade como compromisso, não como exceção. Não manipulamos, não viciamos, não exploramos.
  • Belo: Tipografia, cores e espaçamento em harmonia. Detalhes cuidados. A beleza que convida a permanecer e faz o usuário sentir que está em um lugar acolhedor.
  • Sublime: Momentos de silêncio visual que permitem contemplação. A tecnologia se torna invisível para que o sagrado apareça. Design que sabe quando desaparecer.

No Código

  • Verdade: Código honesto, sem gambiarras que mascaram problemas. Testes que revelam a realidade do sistema. Documentação que não mente.
  • Bom: Código que respeita quem virá depois. Decisões éticas sobre dados e privacidade. Arquitetura que serve ao propósito, não ao ego.
  • Belo: Código limpo, legível, elegante. Estrutura harmoniosa. A beleza como sinal de qualidade.
  • Sublime: Coragem para enfrentar problemas complexos. Humildade diante do que não sabemos. Ambição de construir algo que transcenda.

Em Nós

  • Verdade: Encaramos os fatos, mesmo quando doem. Pensamos com rigor, questionamos premissas, buscamos entender antes de agir. Feedback honesto. Métricas que revelam, não que iludem.
  • Bom: Tratamos uns aos outros com dignidade. Decisões que consideram o impacto em todos. Pensamos no longo prazo, não no atalho. Responsabilidade sobre nossas escolhas.
  • Belo: Buscamos soluções elegantes, não apenas funcionais. Pensamos com clareza — ideias bem articuladas, comunicação precisa. Celebramos o trabalho bem feito. Cultivamos o prazer de criar.
  • Sublime: Mantemos a visão maior. Pensamos além do óbvio, abraçamos a complexidade quando necessário. Não nos contentamos com o medíocre. A missão é maior do que nós.

Que nosso produto seja verdadeiro, nosso código seja bom, nossa estética seja bela, e nossa ambição toque o sublime.

Quando houver dúvida, volte aqui.

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